terça-feira, 29 de abril de 2008

"Gente, é o Ronaldinho! Tô passada".*


Se o título acima foi o que "ela" disse ao reconhecer o fenômeno do futebol, imagino o que o Ronaldinho deva ter dito ao descobrir que Albertino era na verdade (dobre a língua!) Albertine: "Gente, é homem! Tô assado".

Eu não sei e na verdade nem sei se quero saber aonde nós iremos parar. Em menos de 30 dias uma menina foi lançada pela janela, um padre se lançou para o espaço e o Ronaldo se lançou no mundo GLSBT! É muita informação e faço minhas as palavras (porém com variações de gênero) da Albertine: "tô passado".

Você sai da favela, roda o mundo,conhece o mundo e o mundo todo te conhece, casa com a Cicarelle e depois a joga na praia (com ou sem trocadilhos - a preferência é do freguês!), ganha mais dinheiro que o Abadia possa imaginar, tem grana suficiente para construir um motel em cada esquina do Rio e sair com todas as garotas de Ipanema e vai se envolver em escândalo com três (eu disse três!) travecas horrorosas. Que não percebesse que elas eram homens tudo bem, mas não perceber que elas eram horríveis...

Por tudo, fica a experiência de ter visto o Ronaldinho ser muita areia para o caminhãzinho de alguém...

Mustafá!

André Luiz Albertino, ops!, digo: Andréia Albertine.

segunda-feira, 28 de abril de 2008


O que é a vida?
A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.

A gente nasce, isto é, começa a piscar.

Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu.

Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.

É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais.

[...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.

Um rosário de piscados.

Cada pisco é um dia.

Pisca e mama;

pisca e brinca;

pisca e estuda;

pisca e ama;

pisca e cria filhos;

pisca e geme os reumatismos;

por fim pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre? - perguntou o Visconde.

- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?

(Diálogo de Emília e Visconde de Sabugosa, Monteiro Lobato - O Cláudio colocou no blog dele, mas fez tanto sentido pra mim que coloquei aqui no FdG).


Mustafá!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Surreal


Tentem imaginar o que vou narrar agora. É surreal, o título não poderia ser outro...

Estou eu saindo do meu trabalho na UFMG e uma menina (doravente denominada de "Ser", porque a melhor descrição que eu posso fazer dela é que ela era um ser bizarro) me dá uma encarada. A princípio achei que fosse com segundas intenções, depois vi que ela usavas óculos "fundo de garrafa" e pensei que ela estivesse só mirando para me ver melhor. Cheguei inclusive a achar que ela estava me confundindo com outra pessoa. Continuei descendo as escadas, ela fazendo o mesmo na minha frente, e ao passar pelas roletas da saída (ela também passou) vi que o sol estava forte. Abri minha mochila, peguei meus óculos e...

::Preparem-se para cenas fortes::

... escuto o Ser falando com uma voz de marreco:

Ser: Ô seu vagabundo, você veio atrás da minha bunda ná?
Eu: (distraído sem nem me dar conta de que era comigo).

Ser: Ô seu vagabundo!

Eu: Você está falando comigo? (cara de "como assim"?)

Ser: Não se faça de idiota, você veio atrás da minha bunda né seu safado?

Eu: Repete, eu não entendi!

Ser: É isso mesmo... Você veio atrás da minha bunda né seu vagabundo?

Eu analisei bem sua estatura (mínima), o seu peso (máximo), a sua beleza (mínima), os seus cabelos (pula), a sua roupa (pula de novo), o conjunto todo (socorro!) e falei:

Eu: Minha filha, vê se te enxerga!

Gente, inúmeros motivos eu tenho para não olhar para aquele "ser", uns mais importantes que outros, mas o que leva alguém a ter a auto-estima tão elevada a ponto de reclamar que alguém está olhando ("indo atrás") a sua bunda? Se eu fosse ela, quando alguém olhasse a minha bunda eu diria: "Obrigado, às ordens!"

Vão continuar como estão: ela, a bunda dela, mais nada... E que Deus encontre algum Ser que mereça aquilo! Amém.

Mustafá!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Um jeito Biafra de ser...

TÍTULO OPCIONAL: "No céu, no céu, com minha Mãe estarei"


Confesso que relutei muito em falar do padre que foi ver Deus de perto e não voltou até agora. Talvez porque meu pai sempre fala que praga de padre é um problema. Vai que ele volta, lê o FdG e fica sabendo que eu o chamei de idiota? Mas depois pensei assim: se a pessoa - seja padre, bispo, freira etc. etc. etc. - sobe num amontoado de balões escrito "paróquia de qualquer coisa" e quer viajar mais de 20 horas flanando no ar, ela quer mesmo é ser assunto... Aí tô aqui para tentar entender o que se passou na cabeça desse sujeito de Deus...

O que me levaria a viajar em balões de festa de criança gigantes, sem saber operar um GPS (detalhe) e com a bateria do meu celular - o único instrumento de comunicação - descarregada?

Exibicionismo? Não essa não vale, isso já levou o padre...

Falta do que fazer? Não vale também, mas um motivo do padre...

Falta de uma boa trepada? Não vale, duvido que esse seja o motivo do padre...

Falta de família, filhos e preocupações mais relevantes? Não vale também, isso seria motivo pra ficar em terra firme, não para se aventurar acima das nuvens...

Vontade de ser motivo de chacota? Bem provável, alguém que coloca papel laminado por baixo do macacão para se proteger das baixas temperaturas só pode querer que façam piadas...

Vontade de desviar a atenção do caso Isabella? Duvido, o Fantástico não deixaria...

Bem, fico na espera. Se o Adelir voltar, ele nos conta sua experiência e os verdadeiros motivos que o levaram a realizar tamanho feito...

Imagino Biafra aqui cantando:

"Voar voar, subir subir ir por onde for
Descer até o céu cair ou mudar de cor
Anjos de gás, asas de ilusão
Um sonho audaz feito um balão"

Mustafá!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Mimo...

"Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você"...
Mustafá!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Uma face da moeda


Durante toda a manhã de hoje a GloboNews exibiu imagens da delegacia onde o casal Nardoni prestaria depoimentos, talvez os decisivos. Exceto os 5 minutos de imagens que fizeram realmente sentido (as do casal chegando até a delegacia) o resto foi de transeuntes e curiosos, cinegrafistas e jornalistas disputando vaga nos telhados da vizinhança. Eu fiquei ali, curioso também esperando no que aquilo iria dar. Fato é que uma questão me veio a mente: o que faz com que a polícia, a imprensa e a sociedade elejam um caso como esse para ter repercussão nacional?

Diariamente crimes absurdos acontecem. Inúmeras Isabellas têm suas vidas tiradas brutalmente, seja por criminosos conhecidos (familiares) ou por desconhecidos (não quero também condenar ninguém previamente). Vidas inocentes são colocadas em risco ou mortas pelo valor de carros, jóias, dinheiro e até mesmo celulares. O que espanta é que a grande maioria dos casos que vão parar na televisão são de pessoas das classes média e alta. Pessoas que teriam seus casos resolvidos sem ajuda da mídia, inclusive.

No entanto, os familiares das inúmeras Isabellas do dia-a-dia expremem-se em delegacias, em filas de hospitais e até mesmo em cemitérios, a procura de uma justiça que não vai chegar, que é prerrogativa de poucos.

É bem provável que o casal Nardoni nem se tornasse assim reconhecido se morassem exprimidos em uma favela da capital paulista. Ana e Alexandre seriam mais dois na multidão de suspeitos que rondam a insegurança nossa diária. A Isabella seria mais uma pobre menina morta sem muitos esclarecimentos.

O caso é, sem dúvida, assustador. Mas o esquema que se desenvolve diante de casos assim também o é. Uma Isabella atirada do 6º andar de um prédio não nos redime de milhares de crianças indefesas mortas, estupradas, seqüestradas, vendidas, exploradas e humilhadas de sol a sol em nossas periferias.

Fico em frente à TV em busca da solução do caso da menina, visto que se tornou a nossa novela das oito (com flashes ao vivo, diga-se). Gostaria de ter paciência para esperar a solução de outros tantos que se espalham no mar de impunidade, desengano e esquecimento desse local que chamamos de país.

Mustafá!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Abadia

Eu não sei se o fato desse país ter começado de maneira errada nos faz sermos cidadão tão passivos diante de tantas bizarrices. Sim, eu sei, o território é imenso e a diversidade idem, mas tantos paradoxos, tantas coisas inacreditáveis... Sei não...
Vejamos o caso da venda dos pertences do Abadia (se bem que se analizarmos bem de perto nada a ele pertence de verdade, dado as esquisitices do seu negócio e enriquecimento): foi uma confusão, um corre-corre atrás de TV, relógio, bicicleta... A 25 de Março deve ter sentido a concorrência. Lógico, o tumulto foi inevitável. A venda teve um break. Close: dizem que distribuiram senhas e, provavelmente, algumas pessoas foram beneficiadas, ou seja, entraram na frente escolheram o "crem de la crem" e outros tantos raxaram no sol do meio-dia esperando a chance de ter um Holex.
No país do avesso, mesmo com a desculpa de ser uma venda beneficente, uma atitude como essa acaba - também - em maracutaia. Dá pra me contar quando algum brasileiro não levou/tentou levar vantagem? Dá pra me contar quando alguma coisa nesse país não teve um detalhe que nos envergonha? Dá pra me contar quando algo nesse mixórdia foi politicamente correto?
130 cuecas (disgusting!) a R$ 1 cada;
08 Bíblias a R$ 7 cada;
50 travesseiros (R$ 20 com espuma e R$ 10 sem).
Para todas as outras coisas existe mastercard. Para quem desistiu de tudo, a possibilidade do greencard.
Mustafá!
Em tempo: Em Brasília: Como pode um acidente parar uma cidade que foi totalmente planejada? O que contribui para um acidente é a pista, o veículo e o motorista?
Desabofo: "Tô catando os meus brinquedos..."

segunda-feira, 14 de abril de 2008

4 frases para começar a semana...

... OU O POWER POINT (SPAM!) DO FDG:

- Me ligue sempre. Hoje nem é dia 20 e eu já paguei três contas de telefone esse mês. Amanhã pode ser tarde demais...

- "Faz de conta que ainda é cedo..." (numa vibe Sandra de Sá). Durmam por mim. Já que eu não posso, eu distribuo serotonina aos meus amigos...

- Me ame agora. Se eu morrer amanhã não me mande scraps póstumos e nem crie comunidade "Saudades do Leandro". Eu volto e puxo a sua perna à noite.

- "Ou numa casinha de sapê..." (agora numa vibe Kid Abelha). Eu quero um teto, não sendo um sítio em Ribeirão das Neves, tô aceitando tudo...

Mustafá!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Meu mundo e nada mais...

Coloquei o meu despertador hoje para me acordar às 10 para 7h (madrugadíssima) pra dar tempo de tomar banho, fazer a barba, estender a roupa que ficou lavando durante a noite e tomar café. Sim, eu tinha 40 minutos para tudo. Quando o raio do despertador tocou eu achei aquilo um desaforo. Eu tinha acabado de dormir e ele já me importunando. Pensei, acho que vou dormir mais dez minutos e faço tudo o que eu preciso em 30 (nessa hora comecei a delirar com a cena d'eu virando uma chicará de leite com chocolate guela abaixo, o que seria o meu café).
Quando abri os olhos novamente (pra mim não tinha se passado nem um segundo) já eram 7h17m e o despertador ali me olhando, achando bonito ficar cansado e com sono e com a sensação de que mais 10 horas ali não seriam suficientes. Eu tinha 13 minutos e toda a preguiça do mundo, e todo o engarrafamento até chegar na UFMG e todos os dois ônibus que tinham que ser conciliados e toda a chatisse de sair pendurado de ônibus em ônibus até a Pampulha.
Meu sonho era fechar os olhos novamente e minhas piscadas durarem sempre 27 minutos, como da primeira vez. Fiz as contas de como seria meu dia com um atraso e achei melhor vencer a fúria que se me apresentava ali do lado da minha cama, que se tornara o melhor lugar do mundo para se encostar.
Sai de casa 15 minutos atrasados, mas parece que o mundo resolveu acordar 15 minutos depois igual a mim... Tudo aconteceu com um passe de mágica. 2103 me esperando no ponto do Anchieta, 5102 me esperando no ponto da Savassi. Um lugar confortavel na janela à esquerda (sim eu sou sistemático e só sento nas janelas à esquerda) e um trajeto até que rápido ao Campus.
A vida é bela, a gente é que atrasa ela...
Mustafá!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Pedido

Papai do céu,
Quando eu crescer eu quero ter um trabalho muito bom,
com as férias do tamanho das do Jô Soares,
e também não quero trabalhar aos feriados, sábados e domingos,
igual a Fátima Bernardes e o William Bonner.
O salário pode ser a metade de qualquer um dos citados acima.
Amém!
Mustafá!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

"Um tapinha não dói"


A minha falta de tempo e a consequente perseguição pela informação atrasada só fizeram com que eu visse, pelo programa reprisado "Saia Justa", que o Furacão 2000 foi processado pelas músicas "Tapinha" e "Tapa na Cara". Um adendo: foi condenado somente pela maravilhosa e encantada letra de "Tapinha". O tapa na cara, segundo a Justiça Federal, foi consentido...

Vamos aos autos do processo:

Sim, as músicas estão lá! Dê uma olhada aqui! Em meio a tantos termos arraigados do direito brasileiro estão "Tapa na cara mamãe, tapa na cara / Na cara mamãe".

Vejamos os dois lados desse disco:

Sim, alguns direitos da mulher foram denegridos, foram suprimidos, é certo! Mas, que eu me lembre, vi e ouvi muitas delas se esfregando até o chão, fazendo gestos com a palma da mão na cara e na bundinha... Meninos, eu vi! Os bailes funk que o Furacão 2000 agitou inúmeras vezes eram frequentados por várias mulheres que sequer se preocupavam com a letra, quanto mais com seus direitos...

Não, a livre expressão, uma vez conferida pela Constituição Federal de 88 (no título II, capítulo I, artigo 5º, inciso XI), tornou-se nosso direito: "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". Dai que se eu quiser cantar que um tapinha não dói o problema é meu. E se esse tapinha desencadear a pancadaria, o problema é maior, mas ainda é meu.

Enquanto a chapa esquenta, o que se percebe é que o judiciário, juntamente com feministas, não está focando suas ações. Ao invés de investir pesado para que menores não freqüentem bailes nas periferias, que os mesmos menores freqüentem boas escolas, que as mulheres - efetivas vítimas de maus tratos - sejam justiçadas e que leis mais coesas punam a violência contra a mulher, ficam condenando letras que já nasceram condenadas pelo mau gosto.
A falta de bom senso dói mais, pode ter certeza...

Mustafá!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Travessia

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo…
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos."
(Fernando Pessoa)
Para minha prima.
Mustafá!