segunda-feira, 7 de abril de 2008

"Um tapinha não dói"


A minha falta de tempo e a consequente perseguição pela informação atrasada só fizeram com que eu visse, pelo programa reprisado "Saia Justa", que o Furacão 2000 foi processado pelas músicas "Tapinha" e "Tapa na Cara". Um adendo: foi condenado somente pela maravilhosa e encantada letra de "Tapinha". O tapa na cara, segundo a Justiça Federal, foi consentido...

Vamos aos autos do processo:

Sim, as músicas estão lá! Dê uma olhada aqui! Em meio a tantos termos arraigados do direito brasileiro estão "Tapa na cara mamãe, tapa na cara / Na cara mamãe".

Vejamos os dois lados desse disco:

Sim, alguns direitos da mulher foram denegridos, foram suprimidos, é certo! Mas, que eu me lembre, vi e ouvi muitas delas se esfregando até o chão, fazendo gestos com a palma da mão na cara e na bundinha... Meninos, eu vi! Os bailes funk que o Furacão 2000 agitou inúmeras vezes eram frequentados por várias mulheres que sequer se preocupavam com a letra, quanto mais com seus direitos...

Não, a livre expressão, uma vez conferida pela Constituição Federal de 88 (no título II, capítulo I, artigo 5º, inciso XI), tornou-se nosso direito: "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". Dai que se eu quiser cantar que um tapinha não dói o problema é meu. E se esse tapinha desencadear a pancadaria, o problema é maior, mas ainda é meu.

Enquanto a chapa esquenta, o que se percebe é que o judiciário, juntamente com feministas, não está focando suas ações. Ao invés de investir pesado para que menores não freqüentem bailes nas periferias, que os mesmos menores freqüentem boas escolas, que as mulheres - efetivas vítimas de maus tratos - sejam justiçadas e que leis mais coesas punam a violência contra a mulher, ficam condenando letras que já nasceram condenadas pelo mau gosto.
A falta de bom senso dói mais, pode ter certeza...

Mustafá!

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