quarta-feira, 31 de maio de 2006

Lucinda que me substitua por hoje...

Reconstituição (Elisa Lucinda)
Tive de repente
saudade da bebida que eu estava bebendo...
tive saudade
e tentei me lembrar que gosto faltava,
qual era a bebida...
Fui procurando entre copos e móveis
e dei com sua boca.
A saudade era dela
A bebida era o beijo.
OBS> prometo escrever quando der... Obixotapegando na minha dissertação. Preciso correr contra o tempo e contra essa minha dificuldade de escrever cientificamente. Qualificação ainda não houve. Problemas com os organizadores do evento. Capítulos prontos também não há. Meu sono se vai, meu coração quase vai junto. A angústia tem sido minha melhor amiga. Meu teclado do computador e eu não podemos nos encontrar... Os textos se acumulam na proporção contrária que as informações fixam-se em meu cérebro. As que conseguem se alojar têm dificuldades para serem transportadas para o papel virtual mais conhecido: o word!
Mustafá e avante!

terça-feira, 30 de maio de 2006

...

Hoje não...
passo por aqui amanhã...
Mustafá!

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Canuta


Essa é a estória da Canuta. Uma estória que não tem fim. Tem começo, mas nunca terá fim. O fim se perdeu e ela está a sua procura. O fim está perdido em sua mente doentia, naquilo que chamam de loucura. Canuta perdeu a sanidade, mas não é isso que procura. O que procura, e procura sempre, ela nunca encontrará. É o fim de sua estória...
Canuta era menina rica de Pará de Minas. Menina rica de família rica. Riqueza que não se acabaria a não ser pelo infortúnio do pai que falira assim como enriquecera.Coisas que a vida não explica e dinheiro não compra: destino...
Canuta perdeu a vida que o pai prometera e não cumprira. Perdera tudo, mesmo sabendo que tudo tem o mesmo valor que o nada. Mas ela não tinha nada e não ter tudo e nada ao mesmo tempo fez com que adoecesse. Não adoeceu do corpo, que continuava esguio. Não adoeceu da alma, que continuava leve. Adoeceu do pensamento, que é pior que os dois. Sai as ruas a procura do que não tinha. Atrás do nada... Atrás de tudo... Procura sempre e, para procurar melhor, cisca no chão. Vai Canuta pelo caminho feito galinha que perdeu o ninho, o pintinho e o grão...
Vai Canuta dentro da gente, que é essa ansiedade de querer encontrar resposta pra tudo, de não desistir de nada, de não sossegar enquanto não se encontra...
Canuta procura ainda, sua procura é sem fim... Chamam de loucura sua procura, eu chamo de desventura e desejo.
Mustafá!
***
Enquanto isso no mundo acadêmico:
Banca de qualificação do Mestrado! Rezem por mim!!!

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Uma televisão: diversos brasis


Dizem que quem não tem cão caça com gato. Afirmo que quem não vai para a Alemanhã, assiste jogo pela televisão mesmo. As estatísticas apontam que a venda de televisores de 29 polegadas representa substancialmente os lucros do mercado de eletrodomésticos no país. Tem loja prometendo mais um televisor de graça para os clientes que adquirirem uma TV, caso o Brasil seja campeão na Copa 2006.
Esse sim é vendedor inteligente. Provavelmente sabe que dificilmente a seleção brasileira será campeã na Alemanha. Interessa muito pouco para um evento desse porte, que atinge tantas nacionalidades, culturas e mercados, que o Brasil vença todo ano. Ou você acha que a seleção francesa foi campeã em casa à toa? Não seria interessante para os patrocinadores que não patrocinam a seleção brasileira enjetar dinheiro num evento em que só a seleção brasileira sagra-se campeã. Onde estariam seus lucros e seus retornos com a propaganda?
Que o Brasil possui a melhor seleção de jogadores isso não há dúvidas. Basta assistir a um jogo de um time estrangeiro para ver os nomes da casa pululando na tela. Mas existem questões políticas e administrativas que estão, com certeza, por traz desse encontro esportivo que mobiliza o mundo todo.
Não pensem que não torço para que o Brasil seja campeão. Afinal é a única coisa que brasileiro se junta, se reúne efetivamente e, todos, mesmo os menos interessados, ficam felizes com as conquistas no futebol. Interessante seria que essa mobilização se repetisse em momentos de decisões políticas, acariações de CPI's e em crises econômicas.
Mas, dificilmente o Sr. Zé da Esquina se endividaria até 2008 para comprar uma televisão de 29 polegadas para assistir aos depoimentos dos advogados do PCC.
Copa do Mundo é época de todo brasileiro ser brasileiro com orgulho... Depois? Depois não tem outra escolha mesmo... paga-se em 48 vezes a TV de 29".
Bom findi!
Mustafá!

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Um bilhete de adeus...


Titia foi embora hoje... Levou o pedaço bom de Virgínia que ficou por aqui durante dois meses... Muito bom chorar de felicidade...

Mustafá!

quarta-feira, 24 de maio de 2006

País da Bandeira do Avesso em frangalhos


Presos rebelados...
299 ataques...
O sigilo foi quebrado...
Os depoimentos estão vazando...
O nome de uma depoente envolvida no escândalo, advogada do PCC, é Maria Cristina de Souza Rachado...
Antes de depor ela levou um tombalacho...
Todas essas notícias são, para os cidadãos honestos, um soco no estômago...
É melhor, catar os cacos desse país, antes que seja tarde demais...
Mustafá!

terça-feira, 23 de maio de 2006

Posso estar te atrapalhando?


Tem coisas que só acontecem na República do País do Avesso mesmo. Notem bem. Há dois meses nos mudamos e, mesmo concordando em pagar, só agora liberaram o acesso a Internet pra gente. Motivo: falta de competência dos atendentes da NET e, como não poderia deixar de ser, falha no sistema de informação da empresa. É como eu sempre digo, faltam profissionais da informação nesse país...
Liguei agora para a Telemar. Disquei para o número 103 31. Expetáculo! Uma atendente virtual me atendeu e, só pronunciando duas palavras ("troca de nome") ela "compreendeu" que eu queria realizar uma "transferência de assinatura" e encaminhou-me para um atendente de call center. Tudo perfeito, não? Não. O problema está no call center. Tenho que preencher um formulário de transferência de assinatura, autenticar, anexar alguns documentos autenticados, enviar pelo correio, acreditem, para Recife (mas eu não moro em BH?). Só assim depois de 487 dias úteis terei minha conta telefônica em meu nome. Lá se foi o atendimento virtual por água abaixo em detrimento da velha correspondência por carta. É o mundo eletrônico se chocando, ou melhor, ficando chocado com o mundo convencional e tradicional...
Tentei o mesmo com a CEMIG. O Cláudio, meu mais novo inimigo, avisou-me tarde (depois de pedir meu CPF, RG, grupo sanguínio, nome da minha bisavó, etc., etc., etc.) que eu só posso mudar o nome da assinatura da conta de luz assim que eu quitar a conta do mês... que vem!
Êta vida besta meu Deus...
Mustafá!

Obs.: aceito comentários também, se for oportuno...

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Páginas na tela...


É isso mesmo, fui no segundo dia após a estréia assistir ao Código Da Vinci, o filme que nunca deveria ter sido um livro...
Sessão vazia, isso mesmo... Para quem mora em BH a opção é ir ao Alta Vila. Ninguém, praticamente só você irá lá...
Tom Hanks menos heróico que o náufrago. "Amelie" mais gatinha do que nunca. Objetos cênicos muito bem escolhidos e locações surpreendentes. Vale a pena pela aula de religião (não-católica) e pela de história da arte, principalmente sobre o Da Vinci.
Mustafá!

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Anota aí...


Quem disse que escutar conversa dos outros no telefone não é direito? E seu eu conseguir extrair disso um ensinamento?
Assumo: ouvi uma conversa telefônica hoje que me deu conselho para a alma. Conversa de terceiros vai, conversa de terceiros vem, eis que me atenho a um momento da prosa: "A vida é assim mesmo. A morte é assim mesmo. Parece que foi ontem (...) o tempo passa depressa. Só não passa depressa no coração da gente".
Fiz força para não interromper o assunto e acrescentar que tempo que não passa no coração da gente é saudade...
Anota esse recado aí: "é saudade"...
Bom findi!
Mustafá!
NOTA: para quem sempre me manda e-mail perguntando qual era mesmo o nome daquele texto que eu escrevi o ano passado e que sempre quer reler as bugigangas aqui postadas:o blogspot tem um buscador que fica no canto superior esquerdo, bem ali ó! É só digitar o termo que lembrar do texto que ele recupera.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Pequeno dicionário médico

Sinusite [fonte: eu mesmo]: uma intensa fabricação de meleca localizada entre o seu nariz e seu cérebro. A sensação eminente que sua cabeça cairá e que você não vai nem se importar, afinal você não vai ter forças para colocá-la no lugar mesmo. A nítida certeza que você não deveria ter levantado, muito menos estar andando de um lado para o outro.
Sinusite [fonte: Drauzio Varella, o médico mais Global do Brasil, que já vem com nome de remédio]: a inflamação das mucosas dos seios da face, região do crânio formada por cavidades ósseas ao redor do nariz, maçãs do rosto e olhos. Costuma ocorrer dor de cabeça na área do seio da face mais comprometido (seio frontal, maxilar, etmoidal e esfenoidal). A dor pode ser forte, em pontada, pulsátil ou sensação de pressão ou peso na cabeça. Na grande maioria dos casos, surge obstrução nasal com presença de secreção amarela ou esverdeada, sanguinolenta, que dificulta a respiração. Febre, cansaço, coriza, tosse, dores musculares e perda de apetite costumam estar presentes.
Como diria a Sabrina Satto: "É verdade!"
Mustafá!
Obs.:

terça-feira, 16 de maio de 2006

Questão de princípios


Estou atarefado hoje...
Troquei um post por uma montanha, ou melhor, uma colina, de trabalhos para corrigir. Meu lado professor (risos) falou mais alto...
Mustafá!

segunda-feira, 15 de maio de 2006

E o inferno cheio de boas intenções...


Enquanto isso no país da bandeira do lado avesso:
- Criminosos perigosos são transferidos para presídio de segurança máxima (Pergunta que não quer calar: Por quê eles já não estavam lá?);
- Criminosos perigosos, mas bonzinhos, são liberados para passar o dia das mães com as... enfim: as mães.
- Mais de 35 policiais mortos em SP por... enfim: criminosos perigosos...
Qualquer ligação entre os fatos terá sido mera falta de previsão das autoridades...
Mustafa!

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Mãe

Eu poderia lembrar das mãos da minha mãe passando sobre a barriga que me abrigava. Eu poderia ouvir em minha memória a sua voz decidindo com meu pai como eu me chamaria. Eu poderia rever seu rosto e seu sorriso ao me ver nascendo ainda envolto de sangue e placenta. Eu poderia sentir a sua mão firmando o meu corpo para que eu pudesse caminhar e sua alegria ao me ver dando, sozinho, os primeiros passos. Eu poderia ouvi-la me ensinando a cantar “lé com cré” e contando a estória do Patinho Feio até me fazer chorar de tristeza com pena do patinho rejeitado. Eu poderia brincar novamente de lego ao seu lado enquanto ela fazia crochê. Eu poderia esperar a mamadeira de café com leite pela manhã até ela me convencer que eu já estava muito grande pra aquilo. Eu poderia pensar novamente que ela era uma bruxa ou alquimista, porque ela cozinhava bucho e até língua de vaca às vezes. Poderia esperá-la, ansiosamente, chegar de Belo Horizonte e me trazer um livro. Eu poderia discutir com ela de novo, pois eu queria um livro grande com capa dura e não o livro pequeno chamado “O mistério da goiabeira”. Eu poderia ir com ela até Cruzeiro, passar mal na viagem, mas comprar bolacha recheada de chocolate e morango, comer e voltar passando mal de novo. Eu poderia levar de novo inúmeras surras de pano-de-prato e ouvir seus gritos ensurdecedores ficando brava comigo. Eu poderia levar os puxões de orelha e ficar sentado na cadeira de madeira olhando a parede por cinco minutos e sem olhar para o Carlos, meu irmão. Eu poderia ganhar latas de leite condensado, fazer dois furos e ficar mamando assistindo à televisão. Eu poderia roubar junto com o Gustavo uma carteira de cigarros, embrulhá-la e dar de presente a ela mesma. Eu poderia brigar insessantemente com ela para ela deixar os cigarros. Eu poderia vê-la se despedindo de mim e vendo eu me distanciar com meu pai a caminho de Belo Horizonte, quando me mudei definitivamente. Eu poderia receber seus telefonemas em dias não combinados, suas lembranças e preocupações mesmo distantes.

Eu poderia, não fosse a memória que insiste em apagar, junto com o tempo, essas lembranças boas. Eu poderia, não fosse a vida, que insiste em dizer pra gente crescer e se distanciar daquilo que realmente é bom e seguro. Eu poderia, não fosse a distância, o trabalho, o estudo, a correria...

Eu me consolo com a certeza de que eu viveria tudo outra vez, mas só se fosse ao lado dela... Da minha mãe.
Mustafá!

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Tudo no lugar



Hoje baixou o espírito da Velha Faxineira em mim. Tô organizando e limpando. Limpando e jogando o que não presta fora. Mesmo sabendo que o que presta também não presta e que o lixo de hoje era a importância de ontem e o lixo de amanhã é a importância de hoje...
Pausa para assimilar essa filosofia vã.
Mas é isso. Já revirei meu armário no trabalho. Rasguei foi papel que fui encontrando. Coloquei em pastas os documentos importantes. Identiquei com etiquetas! Nossa, como adoro etiquetas! Por mim o mundo já vinha etiquetado, todo dividido em classes e subclasse, quiçá em subsubclasses e assim por diante. Coisas de um bibliotecário com TOC.
Nada melhor do que olhar para um armário e ver tudo ordenado e sem excessos. As pastas todas contendo os nomes de seus conteúdos. Tenho a leve impressão de que fui bibliotecário em todas as minhas outras encarnações...Mas não conte a ninguém.
Mustafá!

terça-feira, 9 de maio de 2006

Desabafo

Ah! quer saber? Cansei de andar depressa. Pra quê? Se não vou chegar atrasado ao meu velório mesmo...

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Dieta do Garotinho

Bem, gente que precisa não falta. Tem tantos obesos no Brasil quanto governantes corruptos. Portanto, segue a dica do ilustre Garotinho para uma dieta sem previsão para acabar.
Motivo da dieta: forma de protesto contra o que o Garotinho chama de "campanha mentirosa e sórdida", que tenta "desconstruir" sua "imagem como administrador, homem público", além de ridicularizar suas "posições cristãs e éticas".
Motivo real: ele está acima do peso realmente e nem se preocupa com a sua imagem moral, está preocupado realmente com os pneusinhos a mais, com a sua imagem que aparece na TV.
Motivo verdadeiramente real: falta de vergonha na cara.
Nº de dias da dieta: por enquanto 6. Quero ver até onde ele aguenta. Aposto que tem barra de cereais embaixo do colchão. Corrupto uma vez, corrupto sempre...
Dieta - Faça você também o que o Garotinho faz!:
8h00m - Desjejum: lembrança das falcatruas, coisa leve para não pesar o estômago;
10hoom - Uma barra de ouro ou um maço de notas, coisa de pouca monta também;
12h00m - Nada de arroz, carnes ou massas. Conte algum dinheiro e instrua sua mulher para ela continuar na ativa caso você morra.
15h00 - Nada de pão que o diabo amaçou, mesmo que seja a hora do café da tarde. Impunidade à vontade.
18h00m - Chá de águas-passadas-não-movem-moínho. Esqueça tudo de errado que fez. Finja que sempre foi santo e ore, ore muiiiiiito!
21h00m - Chá de cabeça-tranquila-no-travesseiro e Justiça Água com Sal, afinal foram inúmeros brasileiros prejudicados pelo seu governo sem pé nem cabeça, mas, quem se importa?
Durma bem, a noite toda e, principalmente, sonhe com muito dinheiro... De preferência longe da Rosinha...
Mustafá!

Obs: tinha foto mas falhou!

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Bilhete ao presidente


Lula,
fiquei feliz em saber que estaremos há poucos quilômetros de distância durante esse findi. Por isso deixo esse bilhete para falar-lhe da impossibilidade de ir encontrá-lo na fazenda do Walfridinho. Fico muito feliz que você possa, mesmo com a crise do gás natural, vir descansar seus calcanhares em terras mineiras, nas montanhas de Minas. Aliás o que é o gás natural perto de seu gás em ganhar as eleições, não é? Viajar de Ouro Preto à Mariana, inaugurando o trem, é muito mais importante! Mas lembre-se sempre do "calcanhar de Aquiles"!
Não poderia deixar de comentar a sua foto com o quepe de maquinista. Ficou idêntica a sua foto com a faixa de presidente: não combina com você definitivamente... Espero que D. Marisa descanse muito respirando o ar mineiro. Mas diga a ela para não comer muito, pois ela pode não caber nos terninhos que escolhem para ela usar ao seu lado. Dê, por favor, um abraço no Aecinho, mas cuidado: ao ver com quem andas posso acabar dizendo quem tu és...
Espero revê-lo em breve,
Leandro Negreiros
Mustafá!

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Eu sem dente, mas com dentadura!


Tenho a sensação de estar banguelo. Mas estou bem , obrigado! Mesmo que eu olhe no espelho e me sinta com dentadura... Estou bem, obrigado!
Mustafá!

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Adeus parcial ao sorriso metálico...


Disseram-me que amanhã tiro meu aparelho dos dentes. A parte metálica de mim, diria Chico Buarque, caso estivesse menos inspirado quando escrevia "Pedaço de mim".
Estranho perder aquilo que me incomodou esses últimos três anos seguidos. Soa-me como um filho bastardo que eu não queria e, ao vê-lo partir, faz-me chorar de saudade... Lembra-me um relacionamento que só me fazia sofrer, mas que ainda me pego lendo as cartas e bilhetes, sorrindo ainda de lado...
Vale dizer que sofri muito, deixei de comer muita coisa por causa dessa estrutura metálica que habitava minha boca. Deixei de ser bem-humorado diversas vezes também. Mas, poxa, foi o investimento a longo prazo mais caro que eu já fiz...
Que bom que me avisaram que só vou tirar o aparelho dos dentes superiores...
Amigos, consolem-me...
Mustafá!

terça-feira, 2 de maio de 2006

Malas de vó


Sempre digo que trago malas diferentes das que a gente conhece das viagens que faço. Malas que existem somente na minha imaginação. Já trouxe saudade, vontade de ficar, vontade de nunca mais voltar... Dessa vez trouxe uma caixa contendo coisas de avós.

Nessa caixa depositei biscoitos da Vó Lola e mãos quentes da Vó Anita. Carinhos para o corpo e para a alma. Não trouxe nada, além disso, dessa última estadia em Virgínia. Sei que isso é suficiente para encher muita coisa.

Biscoito da Vó Lola me lembra sempre as brigas com o Vó Zezé que não queria que a gente comesse tudo de uma só vez. Não entendia muito bem porque tinha que sobrar se nos sobrava fome... Biscoitos da Vó Lola me lembram brincadeiras que se estendiam na pracinha do hospital até altas horas e o corpo coçando de grama na hora do banho.

Mãos da Vó Anita lembram-me sempre mãos rijas que endureceram ao longo dos difíceis anos de doença do Vó Niquinho e um monte de problema para resolver... Mãos que sabem resolver problemas difíceis, mas que tecem lindos desenhos de linha fina... Mãos que cruzam meus cabelos e me lembram que já fui criança ali mesmo naquele sofá e que eu e as mãos temos envelhecido juntos.

Coloquei bem guardadas nessa caixa essas duas coisas. Não posso dividi-las com ninguém. Mesmo com quem já as têm. É diferente. Sabores adequam-se aos paladares de cada um.

Malas vieram praticamente vazias dessa última viagem. Mas vieram tranqüilas, como comer biscoitos e ser afagado por mãos carinhosas...
Mustafá!