Na confusão de se provar que Lina foi à Dilma quem entra em cena são os documentos arquivísticos. Na verdade, outros personagens entram também: o serviço de protocolo do Planalto, o banco de dados do sistema de segurança, backup de arquivo... "Ai, como eu adoro a gestão de documentos!".
No caso do Planalto: "Ai, como ela é mal feita!". Pensando bem, como ela tem motivo para ser mal feita. Culpa das circunstâncias...
Fato é que agora não importa mais se a Dilma sugeriu à Lina que as investigações deveriam ser apressadas, o que significa quase falar para elas serem encerradas. Também não importa o fato da pobre secretária ser afastada do cargo e, com ela, mais um monte de servidores de confiança. E que se exploda o que efetivamente aconteceu no Senado e o poder de seu presidente e, consequentemente, de sua família. Apertem os cintos: os documentos sumiram!
Não há registros desse encontro da Dilma com a Lina, não há anotações permanentes das placas dos veículos que circulam pelo Planalto, assim como não há nada de teórico no pronunciamento de Jucá, que diz que os documentos vão para o arquivo morto (sic).
Pobre arquivo esse do Planalto. Está morto e enterrado.
Aviso: não há como exumá-lo, foi cremado.
Mustafá!
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Má fé
O Grande Pastor prometeu às ovelhinhas que, se elas deixassem ser tosadas e lhe entregassem toda a lã, elas receberiam, como recompensa, lãs novas, muito melhores e em maiores quantidades das que tinham. Elas entregaram... Ficaram peladas no sereno, no frio, no sol, na tempestade, na garoa... O Grande Pastor nunca mais voltou. Abriu uma fábrica de lãs e foi rebanhar outras ovelhas. Ficou rico. Seu cajado agora é de ouro.
O pior de toda a estória do Edir Macedo não é a maneira engraçada com que ele lida com a fé das pessoas humildes. O engraçado da estória do Edir Macedo é como ele lida com o pior do que há nesses seres humanos: a ganância. Quem oferta para receber em dobro; quem entrega o ouro para a construção do templo para, em troca, receber um bom lugar no céu; quem compra uma chave do céu porque quer conforto ou tem medo do que o espera é ganancioso. Tudo isso é prova de que a ganância pode cegar. A fé, mais uma vez é mal interpretada.
Nesse pasto, nas terras desse pastor, nunca se ouviu falar de fé. As ovelhas acreditaram não pelo exercício da crença, do processo de se entregar ao que se acredita. Acreditaram porque eram tão capciosas quanto seu Pastor.
Mustafá!
domingo, 9 de agosto de 2009
Medo
Das coisas todas que me formam, o sentimento mais eminente é o medo.
O medo de morrer, de viver muito, de não ter grana, de ter muita grana e meter os pés pelas mãos, de ser enterrado vivo.
O medo de perder as pessoas que amo, de deixar de amar algumas pessoas, de amar as pessoas, mas não dizer a elas isso no devido tempo.
O medo de ficar biruta, de birutar e não ter ninguém pra cuidar de mim, de birutar e sair feito andante do cabelo grande por aí.
O medo de esquecer todas as orações e Deus se esquecer de mim, de ficar sem ar, de acabar toda a água do mundo e eu acordar no meio da noite com aquela sede de depois de comer comida salgada.
O medo de nunca mais ver o mar, de mergulhar e não achar o caminho da subida, de pegar fogo e sapecar o corpo todo.
O medo de estar de cueca no meio da rua e não ter com o que se cobrir.
O medo de panela de pressão.
O medo de ter parente desaparecido ou de ser o parente desaparecido.
O medo. Medo...
Mustafá!
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