quinta-feira, 31 de março de 2005

Enquete

Gente, queria pedir muitas desculpas pelos posts sem graças dos últimos tempos... mas não estou com equipamentos necessários para a postagem de fotos e nem com o tempo necessário para pesquisas que resultariam em textos mais elaborados... O motivo vocês já estão carecas de saberem: a velha e conhecida mudança... Só falta ligar o computador, montar a cama e colocar minhas roupas no lugar...
Sendo assim, ainda ocorrerão algumas poesias, músicas e afins... Só para não deixar os leitores assíduos sem algo pra ler... Talvez fosse até melhor, eu compreendo... rs! Mas prefiro encher uma linguiça básica com alguns assuntos cuja profundidade é a de um pires...
Por falar em profundidade de um pires, meu primo Arone, apresentou-me um axé muito legal, meio dor-de-cotovelo mas tudo bem... Bom para ouvir beijando na boca e curtindo uma fossa... Como ontem citei Maria Bethânia, hoje tomo a liberdade de citar Rapazzola sem muitas vergonhas... Faz parte ser eclético:
Coração
"Coração Para que se apaixonou
Por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar
Eu vou fazer promessa para nunca mais amar
Alguém que só me fez sofrer
Alguém que só que me ver chorar
Preciso sair dessa
Dessa de me apaixonar
Por quem só que me fazer sofrer
Por quem só q me fazer chorar
E é tão ruim quando alguém machuca a gente
O coração fica doente
Sem jeito até pra conversa
Doi demais, só quem ama sabe e sente
O que se passa em nossa mente
Na hora de deixar rolar
Nunca mais eu vou provar do teu carinho
Nunca mais eu vou poder te abraça
Ou será que eu vou viver melhor sozinho
E se for mais Fácil assim pra perdoar
O amor as vezes so confunde a gente
Nao sei com você pode ser bem diferente
O amor as vezes so confunde agente
Nao sei com você pode ser diferente".
A propósito, gostaria de fazer uma enquete (respondam através do "coment" e, se acharem conveniente, apresentem críticas):
Baseado nas opções a seguir, é melhor que o Fundo de Gaveta aborde assuntos sérios ou assuntos com a profundidade de um pires?
A- Prefiro assuntos sérios, a vida já é divertida demais para o meu gosto (essa areia no meu pé, esse vento no meu cabelo...);
B- Prefiro assuntos com a profundidade de um pires, afinal é só o que eu procuro em fundos de gavetas...
C- O Leandro acha que escreve alguma coisa séria, hahaha!!!
D- Eu não prefiro nada, afinal não leio os posts. Só vejo os títulos para depois comentar com o Leandro para ele pensar que eu leio...
E- Eu quero é muita besteira!!! "Senta no cavalo, só pra levantar o rabo..."
Mustafá!

quarta-feira, 30 de março de 2005

Explode Coração!!!

Ingressos adquiridos para o grande show: Maria Bethânia!!!
O nome do show será TEMPO, TEMPO, TEMPO! E nem posso esperar que o tempo realmente passe pra que chegue logo esse momento de Beth cantando Chico Buarque, Caetano Veloso, Almir Sater ("conhecer as manhas e as manhãs..." - Gustavo, essa é pra você!!!) e outras peças raras da música popular brasileira... Quem também quiser ir com a gente, pode se juntar. Maiores informações no site do Palácio das Artes, mas já vou logo avisando que na platéia 1 não tem mais lugar... a gente só conseguiu as últimas poltronas dessa fileira. Mas, sinceramente, esse show, assim como foi o do Caetano, é imperdível!!!

Explode Coração

Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar e me cortou
Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar
E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver
Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim
Como se fosse o sol desvirginando a madrugada
Quero sentir a dor desta manhã
Nascendo, rompendo, rasgando tomando meu corpo e então
Eu chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando
Feito louca, alucinada e criançaSentindo o meu amor se derramando
Não dá mais pra segurar, explode coração.
(Gonzaga Jr.)
Não vejo a hora de vê-la abrindo os braços e cantando também: Carcará!!!
Mustafás bethânicos!!!
Obs.: as fotos e figuras nesse blog voltarão, eu prometo!!!

terça-feira, 29 de março de 2005

A - Spir - Ina

Estou com dor de cabeça! O que isso significa? Significa que acordei as sete da matina para pegar uma carona com Elbuesta até a UFMG. Significa que eu fiquei a manhã inteira por conta de uma apresentação (a primeira do mestrado!). Significa que eu fiquei nervoso durante a apresentação e, apesar dela ter sido um sucesso (sucesso que eu divido com o meu novo grupo!), valeu um certo nervosismo que representava uma sensação de que eu não ia dar conta do recado. Ou seja, preciso de uma aspirina urgentemente! Como ninguém por aqui tem uma para me dar, resolvi tomar uma aspirina virtualmente:

"
Aspirina: é da casca do salgueiro que vem o princípio ativo da aspirina. A salicina e o salicilato, extraídos dessa árvore, eram usados contra a cefaléia na Mesopotâmia 3 mil anos a.C. No entanto, a aspirina foi patenteada pela indústria alemã Bayer em 10 de outubro de 1897. O químico Felix Hoffmann, com a ajuda do professor Heinrich Dreser, sintetizou o ácido acetilsalicílico para aliviar as dores reumáticas de seu pai. O nome do remédio mais popular do século foi formado assim: "a" vem de acetil; "spir" é a raiz do ácido espírico (substância quimicamente idêntica ao ácido acetilsalicílico); e o "ina" é um sufixo que se adicionava ao nome de todo medicamento no final do século XIX."

Preciso urgentemente de A. Necessito rapidamente de uma Spir. Pelo amor de Deus me deêm logo uma Ina!!!
Bem, de qualquer forma, mudanças efetivas se aproximam e eu preciso estar bem... Caixas são muitas e enfindas... Êta vida besta, meu Deus!

Mustafás aspirinóicos a todos!

segunda-feira, 28 de março de 2005

Findi prolongado

Feriado relâmpago esse! Nunca vi o tempo passar tão rápido... Coisa chata esse trem de tempo.

"Há o tempo e o contratempo
A felicidade e a dor
Eu por mim não tenho tempo
O meu tempo é só de amor
(...)
E é por isso que estou triste
Triste como esta canção
Hoje eu sei que o tempo existe
Hoje é tudo solidão"
(Tempo de solidão - Vinícius de Morais)
Mas vamos deixar o tempo de lado, já que tempo é coisa que passa. Com o tempo passa a raiva do tempo.
Encontrar amigo é muito bom: jogar conversa fora, beber junto, rir demais... Sem preço. Falar bobagem então nem sem fale... Encontrei uma amiga que, durante uma conversa sobre a faixa etária dos "jovens" virginenses, citou o ditado: "as crianças aqui estão pensando que são adultas e ainda por cima estão se sentindo a bala que matou John Lennon". Hahahaha!!! Nunca tinha ouvido isso... De agora em diante quem "se achar" do meu lado será "a bala que matou John Lennon" (Boa demais essa Dinha!).
Como diria a Ira - a tia mais comédia do Arouche - RESUMINDO: fim de semana pra lá de legal com direito a muita balada, regada de maria-mole, beijo na boca, churrasco com os amigos e risada com a música Cowboy Viado. Depois dessa "Hoje é festa" do Latino virou um clássico!!! Meu Deus, meu Deus, aonde iremos parar???
Mustafás e lembre-se: "ele senta, eu sei que senta"!!!!

quarta-feira, 23 de março de 2005

Futilidade com inutilidade

Ai, ai...
Feriado (dia santo? Não sei...) se aproxima e só me resta desejar Feliz Páscoa!!! Do fundo da gaveta, ops!, do fundo do coração!!! Que sua Páscoa não seja só garoto e nestlé!!!
Por falar em chocolate, por que será que a gente distribui (eu? tô sem dinheiro...) e recebe ovos de chocolate na Páscoa? Uma rápida pesquisa na net me leva até essa resposta! Que lambança, que sincretismo... Sempre assim...
Deu a louca na boca do povo! É um tal de quarentão sair beijando por aí: primeiro Chico, o Buarqueador, ou melhor, o galanteador, em plena praia do Leblon (pouco visada e visitada né?), agora Pedro Bial dando estalinho (desculpe se esta expressão estiver ultrapassada!) na Pink... Tá todo mundo inequivocadamente descontrolado!!!
Por falar em "ah que isso elas estão descontroladas", a cantora Sandy resolveu fazer um curso de Letras na Puc de Campinas... Sabe que quando li rapidamente até fiquei feliz achando que ela estava fazendo um cursinho pra melhorar as letras das músicas, mas aí lembrei que ainda tem o Júnior né? hehehe. Fica aqui o meu conselho: Júnior, faz Letras também!!!
Nossa, agora fiquei com peso na consciência, coitado do povo da Letras lá de Campinas com o Júnior... Eu não consiguiria assistir aula ao lado da Sandy, ia ficar cantarolando (mesmo a contragosto) as músicas dela só pra puxar o saco...
Bem é isso, fiquem tranquilos que eu volto, prometo!
Mustafas pascoais a todos!

terça-feira, 22 de março de 2005

Sob medida

Hoje vi uma placa de uma "igreja" que dizia, com outras palavras obviamente, que ali realizavam-se casamentos de divorciados e desquitados, batismo de filhos de mãe solteira e crisma para quem fizesse o curso em apenas uma hora... Além disso os padres de lá fazem exorcismo também!!!
Adorei! Uma igreja sob medida... Do tamanho de nossa preguiça e da nossa vontade de não assumirmos compromissos... Tudo empacotado: "xô satanás", "libera geral" e "quero uma rede preguiçosa pra deitar". Incrivel como os brasileiros arranjam um jeito de se ajeitar com tudo, inclusive com Deus!!! Cada vez mais essas pessoas procuram não aquilo que acreditam realmente, mas aquilo que se adapta ao estilo de vida que escolheram ou que lhes foi confiado.
As pessoas se esquecem, ou fingem esquecer, que todas as instituições têm seus princípios, têm suas regras, têm seus vínculos e valores. Acontece assim com a escola, com o Estado e também com a Igreja. Apesar da liberdade que se prega, vivê-la seria o caos.
Para refletir:
"Que eu não perca a crença em mim próprio(a)
pois muitos já estiveram errados e quem sabe
no fundo, nós é que estamos certos sobre muito
daquilo que nos mantiveram presos em mistérios."
Mustafá!

segunda-feira, 21 de março de 2005

Roubando palavras de Clarice

Assaltei outros Fundos. Ela já tinha dado nome a esse mesmo, lembram? Veja a apresentação desse blog se não lembram ou se não viram... Gostei dessa poesia e não dividi-la com os leitores do Fundo de Gaveta seria me furtar de alguma coisa que ainda não sei... Talvez contentamento... Quem já leu Clarice Lispector sabe o que é: algo entre o "não entendi muito bem" e "gostei muito"... É isso mesmo, a vida é complexa, os sentimentos também o são, porque não seriam as escritoras??? Vejam:
A Perfeição
(Clarice Lispector)

O que me tranqüiliza é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.
Mustafás literários!

sexta-feira, 18 de março de 2005

Coisas estranhas

Vida maluca essa: um dia a gente tem casa, no outro não tem... Num dia a gente está solteiro, no outro casado...
Não se assustem! São algumas coisas acontecendo no amontoado da minha vida. Meu apartamento foi alugado e o outro, pra onde eu iria mudar, ainda não foi liberado... Vida estranha essa de sem teto... Mas não se preocupem (se é que essa situação causou algo mais do que risos no sentimento de vocês), vou para a casa da minha tia, literalmente de mala e cuia!
Com relação ao casamento, de longe é o meu. Amanhã vou para Timóteo (Acesita, seja lá qual for o nome dessa cidade afinal), para o enlace matrimonial da Polly (assídua leitora do Fundo de Gaveta). Foi por isso que tinha cheiro de matrimônio no ar, lembram??? Pois é...
Prometo fotos depois e assim que meu computador estiver instalado adequadamente volto a postar com a devida freqüencia que minha vida me permite...
Mustafá sempre e avante!!!

"Nossos ídolos ainda são os mesmos"


Ontem, se estivesse viva, Elis completaria 60 anos... Talvez ainda cantaria hinos de juventude, talvez entoaria canções para a terceira idade, talvez cantaria ao lado de sua filha (e nós perceberíamos que elas nem se parecem tanto assim), talvez estivesse esquecida entre longplays velhos e empoeirados nessas lojas de discos antigos... Talvez...
Mas Elis foi sábia, morreu cedo, na flor da idade, no auge de sua beleza e carreira. Morreu de maneira trágica, vítima de seus próprios excessos, mas soube deixar saudade como ninguém... Tinha gestos radicais, cantava, sobretudo com a alma e sabia fazer com que as músicas calassem quem quer que a ouvisse cantar...
Pessoas especiais nos deixam cedo, passam simplesmente pela vida. Mas o fato disso acontecer não significa que passam desapercebidas. Ao contrário: são as que marcam presença, que deixam cravadas em nossas memórias momentos nossos que só ocorreram pela existência delas... São fundamentalmente especiais...
Artistas são ainda mais especiais e com Elis Regina não poderia ter sido diferente. Marcou a geração que viveu e sobreviveu os anos 60 com músicas que revelavam o desespero por liberdade de um regime militar autoritário e pouco crítico de seus atos.
“A esperança dança na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha pode se machucar. Azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar”.
O show de Elis continua e nunca terminará, porque sabiamente ela deixou o palco no meio de uma música, a música da vida. E nós, mesmo eu que não a vi cantar enquanto estava viva, continuamos a pedir bis, extasiados...
“Nosso ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém...”
Mustafás saudosos à Elis Regina! Fico feliz por ela fazer parte do Fundo de Gaveta de nossas vitrolas...

quinta-feira, 17 de março de 2005


Casamento também é cultura Posted by Hello

Matrimônio

Tem cheirinho de matrimônio no ar... Tudo muito romântico: noivo e noiva, véu e grinalda, vestido branco, smoking, altar, bouquet e noite de núpcias... Isso tudo por aqui porque em outros lugares do mundo e em outras culturas a coisa é diferente, ou quase igual no final, mas sem essa lengalenga... Sem os meios para justificar os fins!!!
Na Tikopia (Polinésia) que é legal: o “noivo” vem, seqüestra a mulher que ele escolhe naquela hora mesmo que pode ser a “noiva”, leva até uma festa, anuncia o casório meio a contragosto da mulher, na maioria das vezes, e consome o casamento ali mesmo, em público!
A sociedade Kamchadal (Sibéria) o noivo tem que perseguir a noiva até agarra-la pra poder apertar sua vulva, tornando-a sua esposa. Até que é fácil se a mulher quiser ser a noiva. Do contrário as outras mulheres da aldeia a ajudam a fugir.
Na tribo Tükúna, o homem que deseja se casar procura um outro que tenha uma irmã. Pede para casar com a irmã dele e lhe oferece ao mesmo tempo sua irmã solteira. Isso é o que eu chamo de troca de casais! Só quero saber o que acontece com aqueles que não tem irmã para oferecer...
Índio que é macho não escolhe mulher bonita pra casar, prefere as trabalhadoras... Índia que é esperta procura o índio caçador, guerreiro ou curandeiro. Na maioria das tribos eles não se beijam, não andam de mãos dadas e não expressam carinho em público. Ao invés disso ele pintam o corpo um do outro ou se sentam em uma esteira e têm longas conversas. Evitam novas relações sexuais enquanto a índia está grávida. Se transarem, os índios acreditam que o número de fetos pode crescer até o ponto de a barriga explodir.
Cada coisa! Mas não caçoemos da cultura alheia, na certa eles também acham muito curioso uma pessoa entrar na igreja fantasiada de bolo...
Depois dessas nunca mais vou falar que casamento é sempre a mesma coisa...

Mustafás aos nubentes!

Fonte: guia dos curiosos

quarta-feira, 16 de março de 2005

Como nascem os ditados...


Estava o gato caminhando tranqüilo por sua vida felina quando encontrou uma onça de vida infeliz. Pobre onça, tão criança e já órfã de pai e mãe... Sorte essa que o destino reservou a ela e sem os professores da vida ficava a mercê de todos os perigos...
Foi então que o gato, bondoso que era, resolveu ensinar-lhe as artimanhas da vida selvagem. Ensinou-lhe a correr quando era preciso fugir, a comer quando o estômago pedia, a procurar abrigo quando a noite chegava... Enfim: fez da onça a onça que ela merecia ser.
Mas com animal não tem racionalidade, pelo menos essa que pregamos aos sete ventos e muitas vezes não vivemos, de sermos retribuidores do bem a quem não nos fez mal e nos ajudou a vencer. Foi então que, com fome, a onça atirou-se sobre o gato, pensando em fazer dele o prato do dia.
Pobre gato, destino infeliz também era o seu. Criara um monstro e sobre sua própria armadilha cairia se não soubesse pular. Pulou! E como num estalo escapou das garras da onça que, com olhos arregalados esbravejou:
- Mas esse pulo você não me ensinou!
O gato, mostrando sua outra faceta, com ares de esperto, respondeu:
- Mas esse é o pulo do gato.


Obs.: essa estória foi contada muito rapidamente na aula de Gestão da Informação e do Conhecimento pelo professor Ricardo. Não com essas palavras, mas com essa idéia. Achei legal reproduzir e aumentar muitos pontos. Senta que lá vem estória.

Mustafá!

terça-feira, 15 de março de 2005

Metamorfose

"O que é que ouve, meu amor, você cortou o seu cabelo? Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar..." *
As mudanças mudam a gente. Parece redundante e é! Nunca imaginei que tantas mudanças me fariam tão bem e tão mal. Parece contraditório e é!
Nesse último mês mudei da graduação para a pós-graduação, mudei de trabalho e ainda vou mudar de endereço.
Mudar é reconhecer que é preciso deixar aquilo que é costume e criou raízes em nossa mente, em nosso corpo e em nosso coração. É fazer novos amigos e não esquecer daqueles que não são para serem verdadeiramente esquecidos, aqueles que fizeram de suas vidas um canto da nossa. Mudar é perceber que há muito ainda para ser aprendido, que os conhecimentos se expandem e ser muito é ser sempre ignorante. Mudar é observar que não importa quantos garfos você tem na gaveta da cozinha, você só precisa de um para se alimentar... Mudar é aprender que não basta se acostumar com as coisas em seus devidos lugares, com os relógios com seus ponteiros exatos; é necessário fazer bagunça e perder a hora, talvez o juízo. Mudar é reconhecer o barulho que virou silêncio...Não tenho mais medo da mudança, tenho medo de me acomodar de novo e sei que isso será inevitável. Tenho medo de me tornar o de sempre, o de toda hora e desaprender a mudar.
Mustafás mutantes!
*Tesoura do Desejo, Alceu Valença

sexta-feira, 11 de março de 2005

Biblion*


O bibliotecário de Arcimboldo

Sou bibliotecário. Minha vida é catalogar por esse país, como diria uma amiga. Tenho a “simples” tarefa de selecionar, organizar, armazenar e disseminar informação. Isso numa sociedade que, atualmente, vale muito mais por aquilo que significa (pela informação que passa) do que simplesmente pelo que é.
Tento cumprir a impossível proposta de organizar o mundo e recolher tudo o que pode transmitir informação, como queriam os primeiros governantes na antiguidade: deter todo o conhecimento do universo num só lugar: a biblioteca. Sei que isso é impossível e por isso essa idéia me consome. Outra idéia que me corrói é a de que milhares de livros - e cada vez mais eles se multiplicam -, esperam-me, com suas lombadas viradas para mim, para que eu os leia... Será impossível, infelizmente. Tenho a impressão, assim como Matthew Battles (autor de “A conturbada história das bibliotecas”) que “os milhões de livros que ali se encontram podem, de fato, conter a totalidade da experiência humana e que eles não constituem um modelo para o universo, mas sim o universo”.
Não gosto de levantar bandeiras, explicar aos quatro cantos o que é ser um bibliotecário, o que é Biblioteconomia, a importância de um profissional da informação... Prefiro trabalhar, agir, fazer com que o acesso à informação seja facilitado para o maior número de pessoas. Depois, quem tiver olhos para ver, verá! Sou apaixonado por aquilo que faço e conviver com livros e ajudar as pessoas encontrarem soluções para suas perguntas é para mim vital. Gosto de documentos empoeirados e o fato deles assim se encontrarem não significa que são velhos. Documentos, manuscritos ou não, antigos ou não, trazem consigo valores que muitas vezes desconhecemos.
O que me entristece, mas de longe me faz desistir, é que, apesar de nossas bibliotecas estarem cheias de livros, catalogados, indexados e classificados, pronto para os usuários e leitores, nosso país tem um dos menores índices de leitura do mundo. É considerado um bom leitor no Brasil, uma pessoa que lê 2 livros por ano. “Será difícil para um líder sobressair-se nas armas, a menos que ele seja letrado, capaz de perceber que o passado é um espelho do presente. Um líder militar que saiba latim terá grandes vantagens sobre aquele que não sabe”**.

Mustafás bibliófilos! Hoje é dia do bibliotecário. Parabéns pra mim...

* Biblion significa livro em grego.
** Federigo, Duqeu de Urbino.

quinta-feira, 10 de março de 2005

"FrOgxx"


Os cinco anos que me separam de minha adolescência estão me pesando sobre os ombros... Eu não consigo ler o que os adolescentes de hoje em dia escrevem em seus flogs... Talvez eles pensem o mesmo do meu Fundo de Gaveta, não sei, mas pelo menos não escrevo nada em japonês e com letras que sobem e descem... Vocês já perceberam essas excentricidades?
Uma rápida sapiada pela net me leva até o flog da Aninhhah (na minha época as homônimas dela se chamavam Ana ou Aninha, sem agás em excesso), coisa meiga esse flog! Ela escreve assim (comentando de uma foto dela com a amiga): “Eu I a BeBa TxAmUuUu DmAiX MiNhA AmAdA BjUuXx CoMeNtEm. Eu to 100 u q fla”. Eu, depois que entendi, fiquei meio sem entender...
E a Ju então (oh que escuridão!): “as fotos que o adriano dirou nesse dia naum taum na historia... hauhauauha!!! FOI OTIMOOOO!!!! (...) Bem como eu disse antes o fds tah ai.. eu vo nu show du JAMILL aeee!!! naum tah escrito o tanto que eu vo zua!!! e logiko dança... (...)ahhh essa foto foi ano passado,no começo do ano, acho que eim março... Flw!!!?”. Melhor neim coment...
Meu sonho era SaBeR EsCReVeR DeSSe jEItO sem a ajuda do word e saber entender porque escrevem naum ao invés de não (porque mais esforço?). E Flw? Demorei dois minutos no mínimo para entender o velho e conhecido “falou”. As palavras que correspondem ao som que fazem e as gírias... Nossa, tô velho, tô mais por fora do que umbigo de vedete e eles estão se sentindo os bonitões da bala Chita! Aliás, 1bigo de vdt e bunitaum da bla xitah!

MuXXtaHfaH!

Sobre ídolos e fãs


Eu não tenho vocação para ser fã de carteirinha... Não consigo ser fiel a vida inteira ao mesmo cantor, ao mesmo artista, seja ele quem for...

Eu assumo. Eu não consigo mais gostar do Roberto Carlos, por ele estar com aquele cabelo ultrapassado e mal tratado, mesmo ele continuando fazendo músicas para seus amores perdidos, mesmo ele cantando ainda “detalhes tão pequenos de nós dois...”

Eu não consigo gostar do Legião Urbana como antes. As letras são profundas, eu sei, e por isso me deprimem... As letras falam em revolucionar, mas a música é fraca e me deixa estático... Eu não consigo sair por aí com uma camiseta preta com o Renato Russo estampado “amando as pessoas como se não houvesse amanhã...” Faroeste Caboclo é longa demais e meu tempo é curto... (um amigo meu me disse que costuma, quando vai a um churrasco e as pessoas começam a cantar “Faroeste caboclo”, conhecer a casa, os pais e a família do anfitrião. Dá tempo de sobra!).

Eu não consigo entoar aos quatro ventos “bem que se quis...” E os Tribalistas me cansaram... Mariza Monte me stressou com a displicência de “já sei namorar”.
Eu sou cria de uma geração cujas celebridades são instantâneas... Quinze minutos de fama é muito tempo pra mim... Não tenho paciência com grandes carreiras. Gosto de Skank e sou obrigado a ouvir Bonde do Tigrão. Ouço Paralamas e, ao mesmo tempo, Latino e Kelly Key são empurrados minha guela abaixo. Convivo com Caetano, Bethânia, Chico, mas os sucessos são dos Mamonas, Braga Boys... e eu nem sei mais quem eles são!!!
Mustafás esquecidos!!!

terça-feira, 8 de março de 2005

Dia da Mulher


Hoje é dia das mulheres. Parabéns. Cumpri o protocolo, mais nada, não posso fazer mais que isso.
Discordo dessas datas comemorativas. Quando não são meramente comerciais, tentam suprir algo que falta para uma “minoria” (entenda-se inclusive uma maioria desprivilegiada). Não existe dia “da mulher bem-sucedida”, existe o dia da mulher que ainda luta pelos seus direitos, que ainda é um objeto, que são “popozudas”, “cachorras” e “turbinadas” nos programas enfadonhos de domingo, que não podem sequer decidir se serão prostitutas reconhecidas profissionalmente. Não existe o dia do “Índio que não teve suas terras confiscadas e seus costumes protegidos”, existe o dia do índio subjugado. As outras datas comemorativas (dia das mães, dos pais, das crianças etc. etc. etc.) alimentam o mercado.
No ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, iniciou-se um incêndio, e cerca de 130 delas morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher", data do fatídico acontecimento acima narrado. Para mim, o fato é mais uma prova que esse dia é um acerto de contas com um passado de opressão, omissão, injustiça. Uma maneira torta de reparar danos irreparáveis!Há um sério problema com aqueles que precisam de uma data especial para ter seus direitos repensados e eu não posso ser conivente com isso.
Mustafá!

segunda-feira, 7 de março de 2005

Pinturinha Qualquer*

"Casa entre jornaleira,
Poeira sobre os móveis,
Pintura, sujeira: reformar.

A tinta vai devagar.
O pintor trabalha devagar.
Devagar os moradores olham.

Êta vida besta meu Deus!"

Hoje não posso escrever muito porque tudo está de pernas para o ar aqui. Vai ter reforma aqui no meu apê. Pode aparecer, vai sobrar também pra você!!!
Estou de mudança. Caixas de papelão não são suficientes pra colocar tudo que a gente acha que precisa pra viver... Pra quê tanta coisa? Eu me pergunto, mas não encontro respostas... Na ânsia de não faltar nada, temos tudo e mesmo assim nada temos... Curioso, mas não sei porque tenho tantas vasilhas para colocar alimentos na geladeira, e quando abro a mesma: alimento que é bom não encontro... A vida é mesmo contraditória e grande parte das contradições ocorrem por nossa culpa!
E viva a mudança!
O pintor disse que não fazia sujeira nenhuma, talvez quando não estiver pintando, por que quando o negócio é passar tinta na parede... Vixi Maria Mãe de Deus!!!
Mustafás respingados de tinta!!!
*Minha versão para "Uma cidadezinha qualquer", de Carlos Drumond de Andrade

sexta-feira, 4 de março de 2005

Bom senso...


Uma pesquisa da ONU afirma que a população dos 50 países mais pobres do mundo vai mais que dobrar até 2050, em contrapartida, a população das nações consideradas desenvolvidas deve permanecer inalterada, com um total de cerca de 1,2 bilhão. O estudo mostra que a África, diferentemente de outras regiões, apresentou um declínio na média de expectativa de vida – em razão da Aids, mas também devido a outras doenças, guerras e estagnação econômica.
Fico preocupado onde iremos colocar grande parte dessa população que “aparecerá”! Será que teremos morros suficientes para tantas favelas? Outro pensamento é: por que então nascer para viver sofrendo de pobreza, guerras, doenças? Melhor seria não ter nascido...
O que os países desenvolvidos têm que nós, subdesenvolvidos, não temos? Pode-se pensar em dinheiro (obviamente), educação (como conseqüência)... Mas, a meu ver, eles têm é consciência (entenda-se bom senso!). Isso mesmo: se todos aqueles que sofrem dependurados em morros, ameaçados pelo poder do tráfico, vitimados pelas doenças, sejam elas venéreas ou não, desamparados pela Justiça e excluídos da educação, tomassem consciência de que para seus filhos não sofrerem do mesmo mal eles precisam não nascer, grande parte dos problemas seriam resolvidos... Pode parecer uma atitude simplista, mas creio que resolveria nem que fosse em longo prazo. Não é preciso ser de país desenvolvido para perceber que quanto mais gente para comer (quando a comida é escassa, para não dizer inexistente!), maior será a fome!
As pessoas que vivem em países de primeiro mundo não deixam de ter seus filhos porque têm dinheiro. A riqueza não substitui a felicidade de gerar uma vida e disso eu tenho certeza. As pessoas de países desenvolvidos controlam a natalidade porque percebem que sustentar uma família de 3 pessoas é completamente diferente do que sustentar uma família de 2 pais, 6 filhos, 3 agregados, 2 cachorros, sogra, gato e papagaio. Nascer simplesmente para morrer é fácil, difícil é nascer para realmente ser feliz e contribuir para a felicidade de todos seja em país de primeiro, terceiro ou de quinto mundo.
Mustafá!

quinta-feira, 3 de março de 2005

Sobre o mundo e o modem


Cada vez fico mais surpreso como o computador, a Internet e as novas tecnologias entraram em nossa vida e revolucionaram tudo! É, mas como não adianta chorar sobre o arquivo deletado, o jeito é se acostumar com as máquinas regendo nossas vidas, praticamente pensando pela gente...
Já imaginou banco sem computador? Filas duplamente homéricas... Biblioteca e pesquisa sem Internet e catálogos eletrônicos? Bibliotecários malucos e usuários desistindo da busca... Mas tem computador pra tudo hoje em dia né? Luz que acende sozinha quando a gente entra em casa, cafeteira que faz café e ainda pergunta se quer adoçante, cartão que “guarda” todas as informações da gente e que facilita a vida do ladrão (mas lembre-se: Hacker que ladra, não morde!), porta que não deixa entrar se a gente tem chave no bolso e deixa a gente do lado de fora com cara de bobo, má notícia que chega em segundos e assusta a gente mais depressa ainda... Mas no fundo, não há nada como um clique atrás do outro...
Hoje, não importa a distância que nos separa: amigos, amigos, senhas à parte. De qualquer forma a maioria das pessoas não conhece os rostos daqueles com os quais mantêm longas conversas pelas salas de bate papo. Diga-me qual a sala de chat que você freqüenta e te direi quem és! Não importa se é gordo, feio e sem dente, o Photo Shop, o Photo Paint e até mesmo o Paint Brush estão aí para melhorar e consertar tudo, aliás: arquivo dado não se olha o formato!
Confesso que, apesar de usar todas essas tecnologias (pelo menos as que tenho acesso), tenho medo de não ter nada para mostrar no futuro ou então ter um monte de coisas obsoletas e que não rodam nas máquinas que virão por aí... Bem, mas não vou sofrer por antecipação, pois a pressa é inimiga da conexão e dedo mole em tecla dura, tanto bate até que acostuma! Vou imprimir tudo o que puder por que melhor prevenir que formatar!

Mustafá!

Obs: os provérbios existentes neste texto foram enviados por email! Mais vale um arquivo na mão do que dois baixando...

quarta-feira, 2 de março de 2005

"Quero uma rede preguiçosa pra deitar"*


Preguiça é aquilo que dá na gente que a gente nem quer pensar pra não cansar o cérebro. É aquela vontade de ficar parado e de preferência de olhos fechados. Hoje é um dia que eu estou com preguiça até de escrever... Porque escrevo? Porque o instante existe. Para poder ao menos lembrar de minha amiga Cecília Meireles. Só por isso, porque se o mundo fosse acabar hoje eu queria que acabasse em minha cama, para eu poder morrer deitado...
Tenho preguiça de segunda-feira, de acordar cedo, de dobrar o cobertor ponta-com-ponta e esticar a cama (não entendo muito essa vida repetitiva, que Carlos Drummond de Andrade chamou de “eta vida besta meu Deus”) e de abrir os olhos pra poder jogar água na cara quando é de manhã... Tenho preguiça de entrar em ônibus lotado, de engarrafamento, de caminhar longas distâncias e esperar fila de banco... Tenho preguiça de pegar outro pote de margarina quando abro a tampa do outro e vejo que acabou, de ferver leite e de limpar fogão quando deixo ele derramar... Tenho preguiça de subir escada de shopping e tenho preguiça do shopping inteiro também: as lojas são todas iguais, tudo é caro igual e meu dinheiro é inversamente proporcional a careza das coisas... Tenho preguiça de dinheiro também, nunca dá pra nada não é mesmo? Tenho preguiça de música clássica, de missa longa e de saudade de gente que mora longe de mim...Sou preguiçoso assumido e se fosse morrer de repente levariam uns 90 dias ou mais...
Mustafás baianos a todos!
*Versos de "A majestade, o sábia", me recuso a dizer de quem.

terça-feira, 1 de março de 2005

Eu quero é luxo!


Fatos curiosos me levam a acreditar na frase que meu irmão sempre repete: “o estilo ninguém compra”. Sempre acreditei que o dinheiro não era capaz de comprar tudo na vida, tenho certeza disso, a morte é o mais simples, mas não o único o exemplo. Mas não concordava com o fato do dinheiro não poder comprar bom gosto, ou seja, o que o meu irmão chama de estilo. Nesse final de semana constatei que estilo é uma coisa nata, nasce com a gente, se o dinheiro compra ou não eu continuo não sabendo ao certo.
Sábado, realizando meus trabalhos voluntários, após a chuva estava conversando com Fabrícia, uma das crianças que freqüenta a biblioteca da vila e que não deve ter mais que seis anos, e perguntei a ela porque ela estava descalça pisando no molhado. Ela me respondeu que as sandálias dela haviam arrebentado. Eu então prometi que na próxima semana eu traria sandálias novas de presente. Ela mais que depressa me disse que queria sandálias da Barbie.
Domingo, estava parado no sinal quando comecei a ouvir a conversa de dois mendigos. Eles estavam indignados com o preço da TV a cabo.
Uma rápida pesquisa na Internet me deu alguns números que me impressionaram um pouco menos do que os fatos que relatei, mas não me impediram de levar um susto. Na Directv, por exemplo, o preço varia entre R$69,90 (98 canais) até R$94,90 (122 canais). Sandálias da marca Barbie tem seu preço em torno de R$20,00 a R$40,00. São preços módicos até que se imagine alguém que ganha um salário mínimo (R$260,00) desembolsando tais quantias.
O que leva uma criança que nem sequer tem casa, roupas, alimentação e educação adequadas a escolher uma sandália de marca? O que levam mendigos que não têm camas para dormir, muito menos televisão, a discutir sobre o preço da TV por assinatura? Só pode ser o estilo. O fato deles não terem dinheiro não significa que eles não saibam o que é realmente bom, elegante, de qualidade... O fato de não serem os alvos preferenciais da publicidade, não significa que eles não sejam atingidos pelas campanhas comerciais, que não tenham críticas a respeito dos preços abusivos do mercado e que não possam emitir opinião (e desejar!) sobre o mundo dos produtos e do consumo.
São pobres sim, mas com estilo. Eles não têm dinheiro. É, o dinheiro não compra o estilo mesmo.
Mustafás estilosos a todos!