Hoje eu quero escrever uma carta de amor. Mesmo sabendo que “todas as cartas de amor são ridículas”*. Deixem-me ser ridículo ao menos hoje? Mesmo o sendo todos os dias inconscientemente?
E nessa carta porei todos os amores que tive e que não tive, porque tudo isso é amor também. Nela colocarei as paixões que pensei serem amor, isso é amor, na medida em que acreditamos e, mesmo ansiosa e rápida, a sensação é de amor.
Vou tomar banho, vou me perfumar muito, pentear os cabelos de lado, para que a carta leve consigo o melhor que eu pude ser e leve também o meu cheiro de sabonete e de saudade.
Vou caprichar na letra para todos pensarem que é amor verdadeiro, preocupado. Vou deixar uma vela acesa ao lado da minha escrivaninha para torná-la um altar, para colaborar com minha visão, para eu não perder de vista o meu amor...
Não vou errar e, se o fizer, apagarei rapidamente com a borracha. O amor esquece dos erros.
Não haverá pontos nem vírgulas. Amor não se parte ao meio, nem termina. Amor é sempre e se sempre for, só pode ser amor.
E depois da carta escrita, não sei se vou enviá-la! Amores são mais nossos do que de quem amamos... Ninguém saberá, na medida exata, o quanto amamos. Nunca! Nem nós mesmos.
Mas a carta ficará escrita para sempre. Com o selo que só o sentimento pode certificar. O amor não tem endereço nem destinatário.
O amor não passa por baixo da porta.
Mustafá! Feliz dia dos namorados!!!!
*Verso do poema "Poema" - Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

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