quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Cantiga em Mi maior

E da nota musical repetida fêz-se a tia: Mi-mi. Mas fez das duas notas juntas uma canção divertida, que espalha risos, que dói a barriga da gente de tanta estória maluca. Fêz-se a canção mais confusa de se cantar. Como se barítonos e sopranos se atropelassem em notas dissonantes e, no final, só pudesse dar: Mi-mi.
Tia das estórias longas, dos trocadilhos mais oportunos. Do leite em pó que se mistura com água só no estômago, com preguiça de sujar o copo. Com as "limpezas" a meia-noite. Do muscato chito. Das ombreiras perdidas com os grampos, os produtos de beleza e as anotações. Do "resumindo" sempre na ponta da língua, mas longe do final da notícia. Da tôca na cabeça, fingindo ser ladra de nossos sorrisos...
Mimi das velas de aniversário que soltavam faíscas; do estojo de madeira com balas de caramelo, do sítio distante e escuro; do arroz verde; do pão de queijo e da palha italiana.
Mimi de antigamente, quando ainda morava em BH, que chegava cansada, sempre com dor de cabeça, querendo dormir uns três dias, me fazendo pensar que a capital do estado era em outro mundo. Mimi do Vô Niquinho, cantando sentada na escada e levando uns "pitos" de vez em quando. Das agulhas do tricô que continuavam a trabalhar mesmo no escuro ou de olhos fechados.
Mimi de hoje que coloca as minhas roupas e sai por aí em dia de chuva e frio. Que chega afobada falando de três acontecimentos e não termina nenhum. Mimi responsável pelos mustafás diários. Ela sabe bem o que isso significa. Das brigas que não duram nem um minuto, porque a gente não sabe ficar sem falar um com o outro.
Tia Mimi, do 1202 do Edifício Mediterrâneo. Do tio Vicente e de um monte de estórias que não podem ser ditas aqui. Elas nos pertencem, somente. Estão guardadas no fundo da gaveta das coisas engraçadas, do lado da caixa da saudade.
Feliz aniversário!
Mustafá!

Quem te contou?


Segredos não existem... Pense no seu segredo mais secreto. O seu melhor amigo deve sabê-lo. Se ele for um segredo "cabeludo", provavelmente o melhor amigo do seu amigo também deverá sabê-lo. Se o melhor amigo do seu melhor amigo for você, provavelmente um amigo qualquer do seu melhor amigo deverá sabê-lo. Segredos não têm graça quando são "secretos-secretíssimos". Segredo só é bom segredo quando outros sabem.
A sensação de segredo existe. Como a persiana que finge não deixar o sol entrar. Aquela frase corriqueira que se diz "se eu te contar uma coisa você não conta pra ninguém?" é pro forma. É só uma maneira de deixar o seu amigo chateado, com a pulga atrás da orelha, como se ele não fosse a pessoa mais fiel do mundo. Mas tudo é feito para que se pense que o segredo exista. Amigos fiéis não existem. Segredos não existem.
Fidelidade não é nunca contar um segredo. É contar o segredo pra poucas pessoas. Só as mais importantes.
Guardar segredo é como colocar areias em um baú de madeira. Elas se espalharão pelas frestas.
Mustafá!

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Visita


Passada rápida pelo FdG, só para não deixar as pessoas que passam por aqui todos os dias a verem navios...
Vida anda muito corrida. Minha dissertação vai bem, obrigado. Tenho quatro capítulos começados, nenhum terminado e a metodologia terá um plano C, porque o B estava meio complicado... Doutorado só em 2050! Com certeza...
Acho, sinceramente não queria ter tanta certeza, que minha responsabilidade está sendo colocada em prova. Algumas pessoas estão pensando (provavelmente baseadas na minha fisionomia e nas minhas brincadeiras) que sou uma criança irresponsável. "Calma lá", como diria meu pai. As coisas não são bem assim, não é desse jeito que a banda toca e não é por esse caminho que a vida vai... Vou espalhar a oração da Vó Anita por tudo quanto é canto hoje e quero ver quem vai mexer comigo! Sal grosso no banho...
Amanhã retorno à acunpuntura... Tornei-me um paciente relapso, pensará a Dra. Daniela, mas é a vida corrida de todos os dias...
Amanhã retorno ao FdG com mais capricho...
Mustafá!

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

A diferença do "quem"


Estava pensando com meus botões: por quê sempre me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse e não quem eu queria ser quando crescesse? A resposta seria diferente, provavelmente a minha vida teria sido diferente... Eu poderia ter escolhido a mesma profissão, mas, com certeza, seria outro profissional, caso tivesse pensado mais em quem do que em quê.
Eu poderia ser uma pessoa melhor, conhecedor de meus limites, mas ao invés de olhar pra dentro, passei grande parte da minha adolescência folheando guias de estudantes para saber qual profissão melhor se encaixava em mim. O caminho foi o inverso.
Nossos pais (e também os pais deles!) nos ensinaram a pensar sempre no futuro como algo distante, perigoso e para o qual teríamos que estar preparados. Estar preparado significava, na maioria dos discursos que ouvimos, em ter dinheiro para poder constituir uma família e repassar para os filhos a questão: o que você vai ser quando crescer? Assim a vida continua num ciclo de medo, em que se pensa na realização pessoal como sendo algo atrelado à realização profissional. Se você tiver um bom emprego você será alguém feliz. Se você é alguém feliz é porque, provavelmente, tem um bom gargo na firma, um monte de gente trabalhando sob suas ordens e uma conta bancária que atende tanto as suas necessidades quanto aquilo que é, por você, considerado supérfluo. É um ciclo que só vem confirmar os ideais capitalistas de "sei-lá-quem", mas que vem também confirmar que, muitas vezes, podamos alguns sorrisos com um amor novo, uma amizade maluca ou um copo a mais de bebida num bar, porque nos preocupamos demais com as contas do fim do mês.
Isso é porque pensamos em quê queriamos ser e não em quem. Isso é porque depositamos nos bancos não o nosso dinheiro, mas o nosso futuro.
Se começarmos a pensar em quem queremos ser, não existirão mais contas-poupança, não pagaremos mais seguro-saúde. Também não haverá gastrite e nem dores de cabeças.
Bom findi!
Mustafá!

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Duas palavras, uma resposta


Não é que o grande Oráculo dos Deuses te dá uma resposta certa mais uma vez!

1 – vá para o Google
2 – digite: "político honesto"
3 – clique em "Estou com sorte" e não em "pesquisa Google"
4 – veja o resultado (leia com atenção)!

Google: tudo sabe, tudo vê, tudo sente...

Mustafá!

Obs.: Valeu Nilce!

terça-feira, 22 de agosto de 2006

No muro ao lado...


Não sei, mas pode ser um carma... Nunca tive vizinhos muito normais... Pode tudo ter se iniciado na infância com as longas brigas da Carmélia e D. Alzira que a gente podia ouvir do outro lado do muro que separava nossas casas. Não quero ser aqui indelicado ou pouco discreto, mas elas não faziam questão de discrição, pois gritavam aos quatro cantos seus elogios de sogra e nora...
No primeiro prédio que morei em BH tive duas vizinhas "de porta". A primeira era uma senhora de uns 40, 50, 60, 70 ou 80 anos, não sei. Ela era a cara da Kathy Bates, mas só que envelhecida... Tinha muito medo dela, pois lembrava sempre do filme Louca Obsessão. Por isso só comecei a escrever o FdG quando ela se mudou, risos... A segunda era uma menina muito bonita e simpática. Tão simpática que no primeiro dia ela me mostrou os móveis do apartamento dela e no segundo já pediu que eu os guardasse no meu. O entulho ficou lá semanas, até que ela veio se despediu, apresentou-me seu namorado e deixou de ser minha vizinha pra sempre...
No local onde moro tem uma vizinha que não fala, berra. Ela tem uma cara pior do que a Kathy Bates no filme Louca Obsessão e, se eu quisesse compará-la com alguma atriz de cinema seria provavelmente alguma atriz de filme trash. Ela gosta mais do seu cachorro do que da própria filha. Esta, por sua vez, trabalha o dia inteiro (até mais ou menos 23h) varrendo o quintal e cantando músicas dos Rebeldes*. Detalhe: ela deve ter no máximo uns 11 anos. Se me pego cantarolando "e sou rebelde, quando não sigo os demais...", pode ter certeza que a culpa é dela... Posso colocar como epígrafe da minha dissertação...
Talvez...
Mustafá!
*Eu me recuso colocar link desse pessoal aqui.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Amnésia

Estrelando:

Eu esqueço de todos os filmes que vejo, sem exceção!

Mustafá!

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Conversa singela


Em artigo recente no Jornal do Brasil (dia 26 de julho) o colunista Mauro Santayana emitiu sua opinião sobre profissões "singelas". Na verdade discutia sobre a profissão de jornalista que outrora não exigia de seus trabalhadores um diploma, bastando estes saberem articular gramaticalmente bem as palavras. O colunista afirma, manifestando sua opinião, que a liberdade de imprensa não pode estar restrita a quem freqüenta a universidade. O problema é que, papo vai papo vem, Santayana finaliza seu discurso dizendo: "a proliferação de cursos universitários, para ofícios singelos, como os de bibliotecários e secretárias, faz parte do grande mercado de ilusão dos tempos modernos..."
Acho que não preciso dizer que minha caixa de e-mails superloutou com mensagens de bibliotecários estéricos maldizendo essa infeliz frase do amigo supracitado. Mas vamos por partes:
- o cara está expressando sua opinião. Ele é colunista! Ele acha que ser bibliotecário é exercer uma profissão singela. Sua inocência é prova de que não é capaz de formar opinião;
- milhões de pessoas acreditam que advogados são mentirosos, engenheiros são arquitetos enrustidos, que arquitetos são decoradores camuflados, que secretárias são garotas de programa disfarçadas e por aí vai! São opiniões de quem provavelmente não conhece as especificidades, as dores e os prazeres de cada uma dessas profissões e não podem influenciar na escolha da carreira de ninguém;
- bons profissionais se fazem no dia-a-dia, no mercado de trabalho, nas tomadas de decisões e no bom cumprimento das tarefas a eles designadas e não sentados nas cadeiras das universidades, sob os auspícios do curso tal;
- ética é algo muito maior do que simplesmente dizer o que se acha que é correto;
- não podemos exercer uma profissão singela, uma vez que, e cada vez mais, o mercado vem a nossa procura para solucionarmos os grandes problemas que a informática prometeu solucionar e só agravou: a grande quantidade de documentos desorganizados e a proliferação da informação;
- nossa profissão será singela sempre que um bibliotecário não realizar seu trabalho da melhor forma possível, independente do que pensam e esperam de seu trabalho;
- profissão singela é escrever tudo o que vem a cabeça sem antes contabilizar os benefícios que um ofício vem conquistando para as pessoas através dos séculos.
Deixo uma mensagem singela aos bibliotecários magoados: não impunhem bandeiras. Usem seus braços para exercer eticamente a profissão que escolheram. Só nos sentimos menores quando olhamos as pessoas de baixo. Se o seu trabalho é desempenhado com responsabilidade, o sucesso será somente uma das consequências...
Uma pergunta singela ao Mauro: Quem é você?
Mustafá!

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Frivolidades

É acho que andei meio sumido do FdG mesmo... Mas é o feriado prolongado que me deixa assim... Isso mesmo, em BH é feriado e, pra mim, prolongado... Coisas que só um funcionário público pode ter. Por isso hoje vou falar de tudo o que vier na cabeça.
Primeiramente um serviço de utilidade pública. Fico muito impressionado com essas estórias de pessoas que desaparecem assim sem mais nem menos. Fico imaginando como estará a mãe e a família desses desaparecidos que, muitas vezes, nunca voltam. Aqui em BH, no dia 08 de agosto sumiu o Pedro. Eu não o conheço, não faço idéia de quem sejam seus familiares, mas gostaria de ajudar mesmo assim... Por isso entrem na comunidade e deêm uma olhada... Talvez o conheçam... Se não, rezem pelo menos!
Estou admirado de ver quantos erros de português se espalham pelo Orkut. Tudo bem que eu cometo alguns deslizes aqui no FdG, mas "peraí" eu escrevo quase que diariamente, né? Esses dias estava lendo um profile e tinha uma menina que dizia no "quem sou eu": "sou uma molher..." Pode até ser erro de digitação, mas me ajuda aí! Melhor seria se fosse uma "colher". Tem um menino que resolveu colocar uma poesia no profile e emendou num questionamento apaixonado: "pq tem q esistir semtimentos...". Sem contar aqueles adolescentes que escrevem só com consoantes... Aff!
Nesse findi assisti a duas reprises: "Perfume de mulher" e "Procurando Nemo". Sou mais a uma reprise interessante do que um inédito desinteressante... Só não sei o porquê ainda... risos...
Descobri que vou mudar de professor de dança de salão. Agora quem vai me ensinar será o Al Pacino. Pô o cara dança muito, além de tudo ainda é cego... Não sei por que, mas tenho me achado cada vez mais Doris... Já sei falar baleiês (aprendi com a Ana Luisa, minha sobrinha), falo mais do que a boca e esqueço das coisas mais importantes, para não dizer todas...
Sou candidato a Deputado Estadual! Votem em mim... Meu número é 3.333! Você é da minha chapa? Risos... Isso é uma outra estória... Que não pode ser contada aqui... As paredes do FdG têm ouvidos e cabelos...
Mustafá! Para o alto e avante!

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Mendigos no semáforo


Antigamente, não muito, mas há um tempo, tínhamos mendigos nos semáforos. Eles eram sujos, pediam esmola (nessa época ainda era esmola o sinônimo de pouco dinheiro). Eles exibiam dentes pretos, quando eles existiam. Exibiam roupas rasgadas e coisas do gênero. Eram pedintes ou trombadinhas.
Hoje, temos palcos, não mais cruzamentos. Temos mercados nos semáforos. São milhares de artistas (tão sujos quantos os mendigos) que jogam bolas, limões, tochas de fogo etc, etc, etc. São meninos que sequer estudam e que sequer fazem qualquer malabarismo, mas exibem-se em frente aos carros e aos motoristas. São baleiros, jornaleiros, macumbeiros e outros eiros que se aventuram entre os carros por moedas.
Mercantilizaram a pobreza. Ninguém mais é pedinte porque - julgam! - estão ali "ganhando o dinheiro honestamente". Ninguém mais é trombadinha porque não estão roubando. Ninguém mais é mendigo porque não exibem a pobreza como condição, mas como causa daquele trabalho que, embora humilde, é digno.
E eu me pergunto: quem são esses artistas de sinais? São mendigos disfarçados de malabaristas? Qual a honestidade daqueles subprodutos que são vendidos enquanto a luz vermelha se transforma em verde? Essas pessoas deixaram de ser o retrato da pobreza que se instalara em nossas avenidas mais movimentadas? Que dignidade essas pessoas pensam ter resgatado?
Antigamente cidadãos subiam os vidros ao verem mendigos no semáforo! Hoje sobem os vidros na cara dos palhaços. Mas que maldade...
Mustafá!

terça-feira, 8 de agosto de 2006

O jogo da vida


Uma das coisas que pedi para a minha médica no tratamento da acupuntura é que queria noites mais tranquilas. Sonhos mais... digamos... amenos... Porque atualmente tenho tido noites muito conturbadas... Sonhei esses dias que um bicho estranho tinha se alojado no meu pescoço, depois eu vomitava um líquido amarelo. Sonhei também com pessoas que só conheço de nome e com as quais nunca sequer conversei por telefone... Muito estranho...
Mas uma coisa que eu detesto são sonhos recorrentes. Já sonhei mais de três vezes com um sonho que apelidei, por motivos óbvios, de "sonho do jogo da vida". E muito louco: eu sonho que estou sempre na reta final do Jogo da Vida, naquela ponte em que se tem que escolher aposentar e viver numa casa simples ou arriscar e tentar a fortuna e morar numa mansão... E eu, no sonho, me vejo ali, tendo que tomar essa decisão. Muito estranho...
Qualquer interpretação que faço me assusta. E a reta final de minha vida que se aproxima? Já estou tão cansado que preciso me aposentar? Sou ambicioso de mais e devo escolher o caminho da mansão? Minha vida é um jogo???
Não sei o que pensar... Só sonho, mais nada... Aliás, pior seria se me visse no carrinho do jogo atolado de filhos... risos...
Mustafá!

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Sobre crianças e guerra


Eu evito falar em guerras. Emitir opinião sobre assuntos injustos é hipocrisia. Guerras serão sempre injustas. Mas não posso me calar diante das imagens que tenho visto na televisão. Imagens de guerra serão sempre imagens de guerra. Os destroços, as pessoas com olhar de desespero... Nunca é diferente. Mas algo me chamou a atenção nas últimas imagens que tenho visto: as crianças.
Quando se fala sobre crianças em guerra, logo vem a cabeça aquela imagem de soterramento, de bombeiros carregando meninos indefesos e machucados pelas atrocidades causadas por bombas e tiroteios. Mas é exatamente o contrário o que estou falando. Nas duas reportagens que vi a imagem que as crianças me passaram foram exatamente opostas a essas que estamos acostumados a ver. Numa, apesar das ataduras nos braços e de estar condenada a uma cama de hospital, a menina sorria e brincava com um brinquedo imaginário. Noutra, apesar das lamentações de seus pais, dois meninos riam na gangorra improvisada.
É preciso enfrentar os problemas como crianças. É preciso agir como crianças como se crianças fossemos. Guerras não existiriam se nos comportássemos como crianças. Se pensássemos como crianças. Guerras só existem porque deixamos de ser crianças quando crescemos.
Mustafá!

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

É o fim, mas só o começo...


Voto tinha que ser de cabresto sempre. Mas não esse tradicional de controle de poder político através do abuso de autoridade, mas um voto de cabresto que fosse até a nossa casa, nos amarrasse e nos levasse até a urna, para que não houvesse outra maneira a não ser votar. Voto não pode ser livre nunca, pelo menos no Brasil, senão ninguém se prestava a tamanha falta de vergonha.
Vinha eu hoje trabalhar quando, atravessando a rua, vejo um carro com um adesivo em que estava escrito "NÃO VOTO EM CORRUPTO", fazendo óbvia analogia ao partido em exercício na presidência. Como coincidência, uma das pessoas que trabalham no sinal em época de eleição estava distribuindo material de campanha e chegou para o dono do carro com o adesivo e entregou-lhe um outro que apoiava o candidato a governador de Minas pelo PSDB. Ele alegremente aceitou.
Coitado, talvez o motorista não tenha pensado na contradição que cometerá ao colar o adesivo em seu carro. Não votar em corrupto significa, hoje em dia, em não votar em ninguém que já esteja no poder, pois estes já disseram a que vieram.
Votem, porque é obrigatório, porque é de cabresto de qualquer jeito. Mas não manifestem preferências... Vão por mim! Não caiam em contradição. São todos farinha do mesmo saco. Eu não carrego bandeira por mais ninguém!
Mustafá!

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Dispersão

Muita coisa tem passado pela minha cabeça ultimamente. Sentimentos contraditórios também têm alojado meu coração. Por um instante percebi que dei uma sumida do mundo verdadeiro para habitar um mundo que talvez seja só o meu. Tenho me dedicado muito a escrever minha dissertação. Fico grande parte do tempo em frente a um computador e o teclado tem sido meu fiel amigo... Não tenho cachorro, pois assim seriamos três solitários noite a dentro... Tenho trabalhado bastante. Penso que perseguir dinheiro não é o mais interessante, mas nada de interessante tem acontecido na minha vida e, na maioria das vezes, o grande vilão é a grana...
Tenho me sentido um mediocre. Primeiro que diariamente entro em quatro páginas na internet. A primeira é sempre o yahoo.com.br/mail, onde recebo minhas mensagens mais importantes; em seguida entro no hotmail.com para ver as outras mensagens mais importantes de quem ainda não tem meu email do yahoo; entro no orkut e dali levo uns quarenta minutos pulando de vida em vida até chegar a conclusão de que a minha vida é besta, mas tá cheio de gente igual a mim por aí; por último entro aqui no FdG para ver quem comentou ou para escrever algo. Tenho destestado tudo que escrevo. Aliás pouco estou escrevendo de interessante. Tenho apelado para textos alheios de autoria duvidosa, inclusive.
Pode alguém, nesse mundo inundado de informações e acontecimentos interessantes, entrar em quatro míseras páginas e o pior, essas quatro míseras páginas só se referem a esse mesmo alguém que vos fala? Muita mediocridade e isolacionismo. Quase um ostracismo... para rimar...
Depois, o que vale a guerra no Líbano? O que vale os sanguessugas da máfia das ambulâncias? O que vale um país deixado ao léo durante quatro anos por um presidente que nunca soube de nada, nem dele mesmo, nem das pessoas que se relacionavam com ele, muito mesmo dessa grande nação?
Nada vale quando se tem um umbigo e se olha pra ele dia e noite, noite e dia, como se fizesse dor ao mundo não me ter ou se a alegria do mundo fosse a minha existência... Por que vocês não me avisaram? Eu criei um monstro! Eu me criei um monstro que só falo de mim, que só penso em mim... Como se ser egoísta fosse bom...
"Perdi-me dentro de mim, porque eu era labirinto. E hoje, quando me sinto, é com saudades de mim..." (Mário de Sá Carneiro)
Mustafá!